
Tenho vontade de possuir você. Agarrar-te, te fazer meu e depois te jogar na lata do lixo. Fazer-te ficar asfixiado no meio do gás tóxico que a comida podre solta depois de um tempo e te ver sendo esmagado pelo caminhão que passa pelas ruas da cidade levando uns sacos pretos para aterros. Depois de isso, sair correndo, atravessar a rua fora da faixa de pedestres, fazer o carro frear bem em cima de mim, causando uma adrenalina dentro do meu corpo ao fazer meu sentido auditivo funcionar com o som do ruído agudo da buzina, o grito do desespero, e mesmo assim não parar de correr até me deparar com todos aqueles sacos iguais e fazer então do meu coração um detector de metais, chegando perto daquelas latas nojentas e vendo qual delas ele iria disparar em um sinal de alerta que diria que você estava ali pra eu te arrancar, te morder mesmo sujo, nojento como você iria estar e te levar arrastado pra ver você sangrar só pra poder te colocar na minha cama e tirar sua roupa e cuidar de cada machucado com todo o carinho que eu sinto por você. Faria-te arder e depois te cobriria até a cabeça com o meu corpo, fazendo dele um aquecedor como aqueles que vendem em lojas de eletrodomésticos. Com as minhas mãos, coberta de amor fecharia seus olho e assim dizer que te quero, te devoro, te desejo, hoje, amanha e até a luz do sol se apagar eternamente. (MARIANA MORALES)






